terça-feira, 19 de maio de 2009

TEMA 4- COMO INTERVIR NO CONFLITO ESCOLAR

Olá a todos

O conflito na escola é um tema mediático com o qual somos bombardeados frequentemente.
Saber identificar os conflitos, é uma etapa fundamental para os solucionarmos.
Ao contrário da conotação que normalmente se dá a conflito, este não significa uma coisa má; pelo contrário, é através do conflito que se dá a mudança.
Se pensarmos na nossa sociedade actual, o conflito, se bem gerido, até é positivo. Conflito é mudança; é debate de opiniões e não um mero aceno de consentimento com tudo o que se tenta impingir.
Nas nossas escolas, nos nossos alunos, o que se pretende é fomentar a autonomia, a criatividade, a crítica fundamentada. É dos conflitos existentes que podem surgir novas ideias, ideias de mudança.

Podem consultar o trabalho sobre este tema no seguinte endereço:

http://docs.google.com/Doc?id=dfw5qgsm_0ch2kmj7s


Rosário Oliveira

3 comentários:

  1. Cara Rosário e Doutora Luísa,

    De facto, é interessante pensar sobre a questão do conflito construtivo e sobre as suas implicações. Na verdade, o senso comum perspectiva o conflito como algo essencialmente negativo. Penso que as várias abordagens avançadas por Costa (2007) para aprender a lidar de forma construtiva com o conflito, optimizando o seu potencial positivo inerente e reduzindo o seu “impacto negativo” são uma mais-valia para o contexto escolar que nos interessa aqui mas não só. Saber lidar com o conflito de forma construtiva torna-se também vital no nosso dia-a-dia em que deparamos com vários conflitos.

    Quanto à proposta de intervenção do conflito baseada na mediação de pares, parece-me sem dúvida uma proposta interessante. No caso que descreves “conflitos em crianças mais pequenas”, a estratégia de o aluno assumir sucessivamente o papel de “mediador e mediado”, não só vai de encontro ao imaginário muito fértil das crianças destas idades, que adoram representar papéis (ser o professor, o médico, o rei, o bombeiro e, neste caso particular, ser o vigilante), mas também os obriga a aceder a dois pontos de vista diferentes: fazer cumprir ordens (papel de mediador) e acatar ordens (papel de mediado). Segundo Costa (2007), desenvolver estratégias explícitas de resolução de conflitos permite promover e preservar as relações interpessoais, conferir aos jovens a capacidade de gerirem e resolverem os seus conflitos de forma pacífica, dando-lhes um voto de confiança e de credibilização das suas próprias capacidades (desenvolvimento psicossocial).
    Em relação a questão da violência e da sua mediatização, também me parece que, infelizmente, os media não se preocupam com a discussão dos assuntos de forma séria mas sim com as audiências. O caso da professora da Escola Carolina Michaelis é um bom exemplo desta busca das audiências e não do desenvolvimento de uma reflexão construtiva sobre o assunto.

    José Santos

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  2. Olá Rosário,

    Mais do que um fenómeno próprio das relações, o conflito é um fenómeno construtor de relações.
    Com o conflito estabelecemos elos que apoiam e ajudam cada um dos intervenientes a "crescer". E é o que verificamos na mediação de pares. Mediadores e mediados crescem, no sentido em que desenvolvem competências de resolução de conflitos, tornam-se mais competentes e hábeis para evitarem e viverem situações futuras de conflito.
    Na mediação de pares, cada um dos intervenientes é "convidado" a deixar de olhar apenas "para o seu umbigo", mas antes a colocar-se no papel/posição do outro. Neste exercício, aprendemos a olhar e a perceber o ponto de vista do outro, a controlar sentimentos e emoções, a construir juízo crítico e a opinar, a ouvir e dar espaço aos outros, a evitar mais conflitos!

    Anunciação Medina

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  3. Olá Rosário,

    COSTA, E.; MATOS, P. (2007:76) refere que “o conflito existe e é necessário para a mudança” e o “objectivo não é evitá-lo mas lidar com ele de uma forma que minimize o seu impacto negativo e maximize o potencial positivo inerente”, devendo ser encarado como uma manifestação natural e, por conseguinte, necessária às relações entre as pessoas. Devido à sua inevitabilidade, os seus motivos não devem ser suprimidos, até porque são inúmeras as suas vantagens, dificilmente percebidas pelos que o consideram como algo a ser evitado. É essencial encarar o conflito como uma possibilidade de crescimento e de amadurecimento nas relações interpessoais.
    As escolas que promovem e preservam as relações interpessoais devem desenvolver estratégias de resolução de conflitos, que, para COSTA, E.; MATOS, P. 2007:79), “conferem aos jovens sentimentos de poder e de controlo sobre as suas próprias vidas, bem como a capacidade de tomar decisões que satisfaçam as suas necessidades”. Fundamental, sempre que haja conflitos, é ter um plano de intervenção para a sua resolução.
    Na situação relatada, a resolução do conflito passa por uma abordagem construtiva do mesmo, através da mediação interpares, que é uma das estratégias de intervenção mais defendidas na gestão de conflitos. O programa de mediação de pares tem por objectivo, conforme defende COSTA, E.; MATOS, P. (2007:76) “(…) o treino de alunos como interventores na ajuda a outros alunos para a resolução de disputas interpessoais (…)”. Deste modo, os alunos mediadores apoiam os seus pares, colaborando com eles, para que discutam os assuntos e procurem a solução para os problemas.

    COSTA, E.; MATOS, P. (2007), Abordagem Sistémica do Conflito, Lisboa: Universidade Aberta.

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